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Filme, Memórias Secretas - análise de um roteiro

Filme: Remember, título dado pela Netflix, Memórias Secretas (2015)

Direção: Atom Egoyan (o mesmo de O preço da traição e Arat)

Roteiro: Benjamim August (roteirista novo, 39 anos, o mesmo de Class Rank)

Atenção: Isto não é uma sinopse, mas análise de roteiro de um filme e este filme, não é mais um sobre o holocausto, mas sobre memórias.


A maioria dos roteiros tem um tripé que serve para sua montagem: Personagem – Desejo – Conflito

E o filme tem 2 personagens principais que tem um desejo: vingança! Max e Zev, os dois moram em um asilo e tramam se vingar de um comandante nazista que matou suas famílias durante a guerra. Mas calma, tem algo ai ainda para ser revelado, o roteiro tem algumas revelações que vão se desenrolando e assim prendem a atenção do público.

Começam os conflitos, parte que deixa uma história interessante, histórias sem conflitos que personagens conseguem tudo muito fácil, não tem graça, já imaginou a Chapeuzinho vermelho conseguindo realizar seu desejo de levar doces a Vovó, sem um conflito: um lobo-mau?


Um detalhe que envolve todo o filme, são as características do personagem, Zev tem Alzheimer, e toda vez acorda, acredita que a esposa ainda está viva e não se lembra de quase nada, nisso temos um ponto de virada (são incidentes que mudam o curso da história, criando novos obstáculos ou apontando soluções para os personagens), Max entrega a ele uma carta (opa, outro personagem importante na história, a carta, sim, um objeto, pode ser um personagem), carta com tudo que ele deve fazer: caçar e matar o nazista responsável pela morte de suas famílias, mas que usa uma identidade falsa entre 4, algo que vai dar enredo a história, pois serão quatro novos personagens que serão inseridos nela.


Começa ai a vagem de Zev, ao sair escondido do asilo ele encontra pelo caminho personagens coadjuvantes que irão ajudá-lo, incentivá-lo, que não sabem da sua real intenção, acreditando ser apenas um idoso viajando sozinho para visitar amigos e que precisa de ajuda, lembrando das bases de um roteiro, (personagens não devem saber tudo), isso gera suspense.


Suspense também criado no filme pelo sensorial (parte do visual, som e cor que gera sensações).


O filme tem trilhas sonoras e sons que dão um ar de suspense, com sirenes, latidos de cachorro e referenciais, por exemplo: Zev tem um hobbie, toca piano, entre algumas músicas, toca Wagner, compositor alemão, isso foi pensado no roteiro pois tem uma cena que um outro personagem fala a Zev: “Um sobrevivente não apreciaria Wagner”. Clara referência que em roteiros bem amarrados nada é acaso. Temos também a parte visual, imagens de trens que vão gerando lembranças em Zev.


O filme tem alguns diálogos bem pensados em que Zef (o canadense Christopher Plummer, ator sempre lembrando de A noviça Rebelde de 1965,e eu nem era nascido e ele já fazia sucesso!) consegue fazer sua boa interpretação com textos ou não, muitas vezes o silêncio dele já fala muito, coisa que roteirista precisa trabalhar em seus roteiros, os subtextos (qualquer conteúdo que não seja anunciado explicitamente pelos personagens mas esteja implícito ou se torne algo compreendido pelo observador do trabalho à medida que a produção se desenrola). O diretor Constantin Stanislavski era mester nisso.


E claro não vou contar o final, bons roteiros levam a finais inesperados. E este filme tem um final impressionante que mostra um roteiro envolvente.

Assista e diga o que achou. E se quiser que eu faça a análise do roteiro de um filme que você assistiu, só falar.

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Sou roteirista e tenho um curso de roteiros online

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